Estratégia para o mercado de ações: buy and hold

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EstratégiaHoje comentarei uma estratégia bem comum no mercado de ações. Resolvi dedicá-lo a uma das milhares de estratégias existentes neste ramo: buy and hold (comprar e manter).

Olhando para trás, é muito fácil concluir que a pessoa que comprou as ações da Vale no final de 1999, hoje estaria com um sorriso de orelha a orelha. Mas como tomar esse tipo de decisão? Por que? Por que comprar e segurar, ao invés de ficar comprando e vendendo freneticamente pra conseguir ganhar com as diferenças do mercado?


Conforme escrevi sobre comprar ações da Vale há 10 anos atrás, vou refinar um pouco a idéia.

Pois então, pense que quando você aplica dinheiro em algum investimento, seja ele renda fixa ou ações (renda variável), você estará comprando uma torneira (fluxo) a mais para a sua banheira (estoque). Quanto mais ações você compra ao longo da vida, maiores são as torneiras que você compra para encher sua banheira com água. O mesmo é válido para renda fixa, mas vou me ater as ações nessa mensagem. A idéia central dessa estratégia é comprar ações que gerem um fluxo considerável de dividendos ao longo do tempo e/ou valorização ao longo do tempo. Algumas ações não distribuem dividendos, mas se valorizam no mercado durante algum tempo.

Daí a idéia de comprar e manter. Hoje você consegue juntar R$ 1000, e no ano seguinte conseguiu juntar R$ 1500. Vai juntando, juntando, aplicando… Quando você olhar daqui a 10 anos, como estará? Terá muitas ações e, se as ações tiverem se valorizado, um valor da carteira bem alto!!

Um conceito que ouvi um investidor (um dos maiores do Brasil) – Lirio Parisotto – falar sobre a estratégia de buy and hold foi: o mercado premia a vagabundagem. Ficar pulando de galho em galho só gera custos (corretagem) e você nunca estará “na boa” do momento. Ficará sempre atrás… (veja aqui o video da palestra)

Porém, não posso ficar aqui dizendo que o mercado de ações é sempre maravilhoso. Se tivesse comprado MESBLA há 20 anos atrás, hoje seria pó. Ou seja, todo o seu dinheiro teria ido pelo ralo. Ao invés de ter comprado uma torneira robusta, com um bom fluxo de água (dividendos e valorização da ação), o que você comprou foi um belo ralo por onde a água escoa…

O que precisamos ter em mente e estarmos atentos é sobre a qualidade da nossa carteira. Comprar ações da loja da esquina pode ser um bom negócio. Ou não na maior parte das vezes! Empresas de grande porte como mineradoras, petróleo, energia, bancos, telecomunicações, oferecem menores riscos, e além disso, é mais fácil para o investidor conseguir acompanhar a evolução dessas empresas e avaliar se prefere continuar com a ação da empresa na carteira ou vendê-las. É como se você fosse um técnico de um time de futebol: se o time tá indo bem (sua carteira se valorizando) de forma satisfatória para você, não mexe. Se algum jogador estiver dando algum problema, algum desfalque no time (desvalorizando parte ou o total da carteira), é hora de considerar uma “substituição” (troca da ação ruim por uma outra boa, ou alocar o dinheiro dessa venda nas ações que já tem na carteira).
Sem antes esquecer também que “buy and hold é diferente de buy and forget” (tradução: comprar e manter é diferente de comprar e esquecer). Simplesmente porque a sua carteira pode desvalorizar ao longo do tempo e você ficar chupando o dedo.

Atualmente a CBLC ou a própria corretora enviam um extrato mensal da sua movimentação e saldo de ações. Assim você não precisa ficar preocupado em ver todo dia as cotações das ações que você tem na carteira.

E por que então não me dedicar a compra e venda frenética de ações, virando um negociador profissional?

Porque isso requer, além de maior quantidade de dinheiro, para diluir os custos da operação, maior treinamento e disposição, além de uma boa parcela de tempo do dia destinada a isso. Claro que há métodos e maneiras de melhorar isso tudo, de tornar mais eficiente. Mas isso, novamente, requer muito tempo de aprendizado e dinheiro investido na sua formação. E com um detalhe: poucas são as pessoas que conseguem “bater o mercado”, ou seja, um rendimento maior que o Ibovespa ou, para diminuir a dificuldade, a média de rendimentos dos fundos de investimento.

Forte abraço,

😉

  • Helena

    =)Gostei do exemplo do texto. E de fato … dá muito menos trabalho agir assim. Se a pessoa não tem paciência para “pular de galho em galho” vale fazer isso sim.