O imóvel em que eu moro é um investimento?

Tempo de leitura: 4 minutos

ImóvelO post de hoje é dedicado às pessoas que detém um imóvel e moram nele, e acreditam nisso como um investimento.
A pergunta que devemos fazer é: o imóvel em que estou morando pode ser considerado um investimento?
A resposta é: sim e não.


Vamos analisar os dois casos.

Então, quando é que o imóvel em que estou morando pode ser considerado, de fato, um investimento?
Precisamente quando você pensa em morar neste imóvel por um prazo pré determinado, como alguns meses ou anos. A partir do momento que pretendemos morar neste imóvel para o resto da vida, ele deixa de nos gerar renda (através do aluguel ou da venda) e passa a gerar despesas.
Se o imóvel que você comprou por 100mil ontem, vale 500mil hoje e você não vendeu e não alugou, isso não foi um investimento. Pelo contrário, você enterrou o dinheiro e ainda não o encontrou.
Logo, para que o imóvel que você mora VIRE de fato um investimento, é preciso que você o compre com um prazo determinado para ficar nele e posteriormente vendê-lo ou alugá-lo.

Vamos com um exemplo.
Manoel brotou no mundo e resolveu que precisava de um lugar para morar. Comprou um apartamento por 100mil reais e estipulou que daqui a 5 anos ele iria se mudar para um lugar melhor e mais confortável.
Passados os 5 anos, O apartamento de Manoel vale 300mil reais. Manoel está se mudando e avalia: alugo o apartamento ou vendo e embolso o din din da venda?

O pulo do gato acima não está entre alugar ou vender o apartamento que morou. Mas sim pelo fato de Manoel deter um patrimônio que, passados 5 anos, começou a gerar renda para ele, seja via aluguel ou via venda. Nessa situação, Manoel estaria ganhando em qualquer uma das duas alternativas: alugar ou vender.

Agora, o outro lado da situação: quando você não mora no imóvel e compra este imóvel para alugar. Seja uma sala comercial, um apartamento bem localizado com um bom preço, uma boa arquitetura, etc. Nessa situação sim, você está, de fato, comprando algo para ganhar,extrair renda, no momento seguinte, seja alugando ou vendendo o apartamento (no futuro), quando o preço estiver mais alto (é a sua expectativa).

É preciso considerar que no Brasil, a valorização do seu imóvel não altera muito o seu poder de compra, já que o banco não vai te conceder um empréstimo maior, com taxas menores, pelo simples fato da valorização da sua humilde casa. Ao contrário do que ocorre nos EUA, cujo consumo das famílias é financiado com hipotecas* e consequentemente, o poder de compra das famílias aumenta conforme a valorização do imóvel, aqui no Brasil isso não ocorre.

Em suma, o que é importante saber aqui e extrair deste post é: quando é que um imóvel passa a ser investimento e um gerador de renda e quando ele deixa de ser. Esse é o divisor de águas na hora de investir e comprar um imóvel para morar ou alugar, e mais ainda: avaliar se essa compra é, de fato, um investimento. Se você quer comprar visando “aumentar o seu patrimônio”, tenha data certa para sair. Caso contrário, o seu imóvel só gerará despesas e, consequentemente, não deve ser considerado um bom investimento, pois você não usará os “frutos” de sua valorização (caso o venda) ou o aluguel.

Veja mais sobre imóveis clicando aqui!

Forte abraço!

😉

—————————————————————

Nota:
*Hipoteca é um empréstimo que o banco concede a uma pessoa/família pelo valor do imóvel. Se o imóvel do sujeito vale 100mil hoje, o banco empresta 100mil para a família hoje, com o prazo de pagamento em, geralmente, 30 anos. Isso permite uma rápida alavancagem no consumo das famílias. Com a valorização dos imóveis, uma tendência em alta dessa valorização, as famílias renegociam a dívida com os bancos, aumentando ainda mais a quantidade de dinheiro disponível, podendo consumir ainda mais. Quando o imóvel desvaloriza, infelizmente, os bancos não renegociam para baixo suas dívidas, pois há compromissos e pagamentos a serem feitos por esses bancos a outras instituições. Isso explica, resumidamente a essência da crise imobiliária norte-americana. O mesmo processo não ocorre no Brasil, pois não utilizamos o imóvel como instrumento de alavancagem financeira. Ou, quando é usado, apenas como garantia/colateral na hora de conseguir um empréstimo.