Meia entrada e gratuidade: quem realmente paga essa conta? Você ou o empresário?

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entradaÉ comum acharmos que um cinema, ao oferecer meia entrada, está fazendo “uma caridade” ao fornecer um ingresso pela metade do preço simplesmente porque a pessoa é idosa ou estudante ou alguma outra categoria especial.

O mesmo raciocínio também ocorre com as passagens de ônibus. As pessoas pensam que o empresário fornece gratuidade, por força de lei, para as pessoas idosas, deficientes físicos e estudantes da rede pública de ensino.

Não vou entrar no mérito moral da situação porque não é esse o objetivo deste blog. Mas gostaria de apontar uns pontos que talvez passem despercebidos ao leitor leigo no assunto de finanças e administração, utilizando um jargão conhecidíssimo na área:

“There´s no such thing as a free lunch.”

 (traduzido para o português ‘brasileiro’: Não existe almoço grátis.)

Essa frase foi muito utilizada por Milton Friedman para exemplificar que nada é de graça, pois há sempre uma troca embutida nas transações. Isso se aplica à passagem de ônibus, à meia entrada de eventos culturais, etc.

O empresário da frota de ônibus precisa ter lucro. Invariavelmente. Caso não tenha, ele fecha as portas, vende os ônibus e se aposenta. O lucro move a economia. O lucro mantém as lojas abertas, as pessoas prestando serviços, o táxi fazendo suas corridas diárias e o ônibus rodando na cidade para transportar passageiros. Agora, se imaginarmos uma cidade em que 90% das pessoas têm gratuidade, qual é o lucro do empresário? Como ele sustenta o transporte?

Como ele resolve (a grosso modo): passa a cobrar dos outros 10% não-gratuidade uma passagem que compense toda essa perda de valor que ele tem ao oferecer a gratuidade. Já pararam para pensar nisso? Aqui ele transfere o ônus da gratuidade para o cliente pagante!

E o cinema, teatro, eventos culturais, etc? Como ficam? Eles não fazem de graça… Têm a meia entrada!!

Sim, eles têm a meia entrada, mas se, novamente, 90% da população for de meia entrada, os outros 10% arcarão com o diferencial a fim de, no mínimo, dar um mínimo lucro ao empresário do setor para que ele não feche as portas!! Mesmo que a quantidade de pessoas com direito a gratuidade ou meia entrada seja pequeno, alguém vai sempre pagar essa conta: você, consumidor, pagante.

E, em alguns casos, a meia entrada já está tão difundida, que as empresas colocam o preço da meia no valor que elas acham que seria o preço inteiro. Um cinema, por exemplo, quer cobrar R$ 10 por cada ingresso, acaba ofertando-o por R$ 20, a fim de atingir o preço ótimo de R$ 10 (considerando que todos os clientes pagam meia entrada).

Em suma, o que eu pretendo passar com essa leitura é: para que alguns tenham “gratuidades” ou “meia gratuidade”, alguém ou ‘alguéns’ está arcando com esse custo do outro lado do consumo.

Logo, nada é de graça. Voltamos a frase: “Não existe almoço grátis.”

Ok?

Gostaria que o leitor ficasse mais atento à essa observação que deve ser empregada sempre quando nos depararmos com situações como essa. E você, que não tem gratuidade e não paga meia entrada, está, com 101% de certeza, arcando com os custos da gratuidade alheia.

Para quem quiser consultar a lei da meia entrada, clique aqui!

Forte abraço!
😉