Impostos – um exemplo prático explicando porque a carga tributária no Brasil inibe a produtividade

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impostosAntes de mais nada, não estou escrevendo este post para defender mais impostos ou menos carga tributária. Qual é o melhor ou o pior. Nem mesmo o destino deles: se são aplicados, roubados…

Mas gostaria de perguntar ao lojista, ao industrial e principalmente, ao consumidor, se ele tem noção do quanto paga de imposto por aquele produto e/ou serviço? Qual é a carga tributária embutida no pãozinho de cada dia, no feijão…  E pra ser sincero, eu não tenho a resposta. Já que cada produto/serviço está enquadrado em alguma categoria, de alguma mesa, em algum escritório de algum ministério…

Já pararam para pensar no quanto isso gera de ineficiência?

Um exemplo bem simples, mas que ilustra muito bem a questão da ineficiência:

Eu quero comprar um sorvete. Esse sorvete custa 5 reais (sem impostos). A empresa “Sorvetes SA” vende a casquinha por 5 reais (sem impostos)!! Eu pago 5 reais, tenho o sorvete, a empresa vende e lucra e continua produzindo, ao preço de 5 reais.

Agora vem o Governo, super bem dotado de informações e resolve cobrar em 1 real de impostos sobre cada casquinha de sorvete. A empresa “repassará” metade do imposto pago ao cliente*.
Como ficam as contas: a casquinha passa a custar R$ 5,50. Eu compro a casquinha por R$ 5,50. E a empresa fatura apenas R$ 4,50.

Resultado: o 1 real de imposto cobrado pelo governo (carga tributária) gerou um aumento do preço final para o meu sorvete. E o lucro da firma (o que faz a empresa continuar produzindo, empregando e ofertando o produto) reduziu de R$5,00 para R$ 4,50 por unidade. Logo, com a incidência da carga tributária, o produtor (fábrica/vendedor de sorvetes) vende menos sorvetes. E o comprador (eu, você ou qualquer outro indivíduo) passa a comprar menos sorvetes, já que seu salário/renda não foi aumentado.

Pensem a respeito disso. Antes de falarem em carga tributária, aumentar ou reduzí-la, além de criar bolsas famílias genéricos pelo Brasil, pensem que em algum canto da economia (pode ser inclusive “no seu canto”, está havendo alguma perda de eficiência, ok?)

É impossível pensar, nos dias de hoje, em um país (economia) sem alguma carga tributária. No Brasil, esse valor gira entre 34% a 39% do PIB, podendo variar de ano a ano, em função de algumas variáveis como a evolução do PIB (aumento ou diminuição), aumento pontual de cobranças e impostos, etc, etc…

Uma pequena olhada no site da Receita Federal, nos mostra a quantidade de impostos que devemos pagar, somente a União. Sem incluir estados e municípios!

Forte abraço!
😉

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*NOTA: o quanto do imposto vai incidir sobre o produtor ou o consumidor dependerá da inclinação das curvas de oferta e demanda. Essa inclinação é dado pela elasticidade-preço do produto. Uma curva de demanda inelástica tem uma inclinação menor que 1. Em termos conceituais: o preço do produto pode aumentar mais do que 1%, e a demanda por esse produto cairá menos que 1%. Um exemplo disso: passagens de ônibus (não estou fazendo alusão a nenhum reajuste ou contrato). Mas se as passagens aumentarem, haverão poucas pessoas que deixarão de usar o ônibus, já que é o único meio de transporte existente.
Para escrever mais do que isso, precisaria escrever uma introdução a microeconomia e ter um gráfico para ilustrar. Acho que os conceitos explicados até aqui bastam.