Lucro é bom ou ruim?

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lucroÉ muito comum ouvirmos/lermos nos noticiários falando “o banco/empresa X teve um lucro absurdo”. Os argumentos são bem originais: “bancos com lucros absurdos e o Brasil numa miséria absurda…”, ou então “empresários cada vez mais ricos e pessoas cada vez mais pobres…” Mais ainda: “por que tanto lucro? Tem tanta gente passando fome!!”

Infelizmente, esse raciocínio inicialmente pode até estar “coerente”, mas ele está equivocado. Pense você: por que trabalha? Por que você pensa em investir algum dinheiro em alguma ação, empresa, título, fundo de investimento, poupança…? O que há de comum em todas elas, inclusive quando você procura um emprego que pague um bom salário?
Sabe o que há de comum?

Lucro. Simplesmente.

Pense na sociedade caso não houvesse a oportunidade de lucrar. A empresa de ônibus existiria? O taxi andaria pra cima e pra baixo simplesmente por caridade? A energia que chega até a sua casa estaria chegando eficientemente?

“Ah, mas pode ser de graça, o Estado pode prover isso de forma extremamente igualitária e eficiente!” Se você conhece algum lugar onde isso realmente aconteça, me diga, pois estou curioso.

Alguns podem argumentar que na época da União Soviética, ou nos países que se dizem comunistas, o Estado consegue prover os recursos necessários à existência humana. Mas eu diria que, quando muito, conseguem prover recursos suficientes para a subsistência humana, o que é bem diferente, um nível inferior de qualidade de vida e conforto.

Existe um excelente livro (link do livro) sobre a queda da União Soviética, em que o autor (Michael Meyer) cita o exemplo de vários cidadãos formando fila no mercado para comprarem sabonete. Detalhe: só havia um tipo, uma marca e um cheiro de sabonete no país em questão. Ao mesmo tempo, do outro lado do mundo, nos EUA, a economia “movida a lucros” conseguia satisfazer de forma abundante os seus cidadãos, de maneira mais eficiente.

Boris Yeltsin (primeiro presidente da Rússia – 91 ~ 99), quando visitou um supermercado em Houston, EUA, narra em sua autobiografia:

Quando vi aquelas prateleiras apinhadas de centenas ou milhares de latas, caixas e mercadorias de todos os tipos possíveis, pela primeira vez me senti com náuseas de desespero em relação ao povo soviético e ao fato de um país super-rico como o nosso ter afundado em um estado de tamanha pobreza!

Além de muitos outros fatores que fogem ao tema do nosso blog, um fator preponderante que limitou o conforto dos soviéticos foi a possibilidade de não conseguir lucrar, ou seja, gerar valor em cima do trabalho ou do negócio. Por mais estranho que isso pareça, essa limitação inibe toda e qualquer inovação tecnológica, ou algum empreendimento que gere melhorias para a sociedade como um todo. O resultado disso foi que, com a queda do Muro de Berlin em 1989 e o final da URSS logo em seguida, percebeu-se uma longa distância em termos de desenvolvimento entre o bloco “socialista” e o bloco capitalista (capitaneado pelos EUA).

Agora, entenda porque a limitação do lucro impede que a sociedade saia ganhando com isso, e como você pode sair perdendo também:

Enquanto uma parte das pessoas reclama dos lucros absurdos das grandes empresas (note, são todas listadas na Bovespa, ou seja, você pode comprar ações dessas empresas), outros se preocupam em se apropriar desses lucros através da compra de ações dessas empresas. Vocês conseguem notar a diferença nisso? Percebem que enquanto um lado perde tempo e energia reclamando de uma situação que é própria do sistema, o outro lado se aproveita para ganhar junto com a situação? Esse é o pulo do gato da riqueza e de se proteger contra eventuais desgraças financeiras em nossas vidas!

Em suma, é importante sempre ter em mente que o lucro não é ruim. Pelo contrário, é a força que empurra a sociedade para frente. Se um laboratório farmacêutico não pudesse lucrar com algum remédio, jamais investiria na sua pesquisa. Se a companhia telefônica não pudesse ter algum lucro com o serviço de telefonia fixa/móvel, jamais investiria na rede de telecomunicações, e assim sucessivamente…

Forte abraço,
😉