Nota de 1 real é a única que vale mais do que seu valor “escrito”

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nota de 1 realAtualmente não há mais emissão da nota de 1 real. Ou seja, o Banco Central (através da Casa da Moeda – instituição que produz as cédulas no Brasil) não imprime mais as notinhas verdinhas de 1 real. Em função de ser uma cédula relativamente cara para ser produzida, sua produção foi descontinuada. Em substituição, passou a ser produzida em larga escala a moeda de 1 real, que apesar de ser mais cara a sua confecção, ela é mais resistente do que a cédula em si, gerando menores custos em sua emissão ao longo do tempo.

O mais interessante nesse processo de mudança (cédula para moeda) foi a mudança do valor atribuído a própria nota de 1 real. Isso ocorre porque a nota de 1 real está se tornando, com o passar dos anos, uma espécie de relíquia. Por não ser mais produzida, colecionadores passam a investir nesse tipo de artigo, a fim de tê-lo como uma lembrança no futuro ou, especuladores podem acreditar que o valor atribuído a nota de 1 real em si, será muito maior do que R$ 1,00, exatamente por se tornar uma relíquia.

Quando você entrega uma nota de 2 reais a alguém, essa pessoa recebe esta mesma nota com o valor atribuído a ela de 2 reais. Logo, a sua cédula é um compromisso de pagamento de 2 reais. O mesmo processo ocorre quando você entrega uma nota de 5, 10, 20, 50 e até mesmo 100 reais.

E a nota de 1 real? Quanto ela está valendo, hoje, em outubro de 2012? Seria a nota de 1 real um investimento?

Uma rápida pesquisa no Mercado Livre com “nota 1 real”

Uma rápida pesquisada no mercado livre, com as seguintes palavras no campo busca “nota 1 real” trouxe resultados interessantíssimos! Há pessoas vendendo uma nota de 1 real por R$ 10. Ou até mesmo notas em série, cobrando valores exorbitantes, como R$ 100 por 11 cédulas de 1 real! Para conferirem o resultado, clique aqui!

Se você estiver ainda mais curioso, leia este artigo, publicado no Uol Economia!

Ok, você pode argumentar que isso é golpe e podem estar te passando pra trás neste site de compras na internet. Então experimente perguntar às pessoas conhecidas: quanto elas pagariam por uma cédula de 1 real em bom estado?

A resposta é surpreendente! Já ouvi pessoas que estariam dispostas a dar R$ 2 pela cédula e até mesmo R$ 50 pela mesma cédula!

Mas então por que a nota de 1 real tem tanto apelo assim?

Então por que uma nota de Cruzeiro, Cruzado Novo, Novo Cruzeiro (dentre tantas outras moedas que já circularam no Brasil) não têm o mesmo valor atribuído?

Pelo simples fato de que essas moedas antigas não tem mais poder de compra, pois não circulam. E talvez porque não sejam tão emblemáticas como as notas que foram precursoras e tão presentes na vida do brasileiro, quando foi iniciado o Plano Real – o primeiro Plano Econômico que, de fato, debelou a inflação no Brasil.

Podemos pensar que a idéia que essas notas (Cruzeiro, Cruzado…) trazem são lembranças de tempos mais antigos do Brasil, momentos mais turbulentos. Já a nota de 1 real possui um certo romantismo ao redor dela. Um estigma, que mantém o mito da estabilização de preços no país. Existem muitos outros pontos e comentários a serem feitos a respeito deste tema.

Enfim, se você ainda tem uma cédula de 1 real na sua carteira ou está guardada em algum lugar, seguem 2 recomendações:

  • Venda a nota a alguém que atribua um valor maior do R$ 1 e obtenha, com isso, algum ganho (prêmio) por ter guardado esta nota ao longo do tempo; ou
  • Guarde muito bem a nota, de forma conservada, de preferência entre 2 vidros, para evitar o contato com o oxigênio e perda da textura e qualidade da cédula. E se quiser voltar para a primeira opção no futuro, é provável que o valor atribuído a essa nota seja ainda maior!

 

A explicação econômica da não-emissão da nota de 1 real

Toda forma de dinheiro – cédula ou moeda – tem um custo para ser produzido e reposto ao longo dos anos em uma economia. As cédulas produzidas têm uma vida útil menor do que as moedas, que, por serem metálicas, resistem mais ao troca-troca de dinheiro que ocorre diariamente na economia. Lembre daquela vez que você colocou uma calça ou bermuda para lavar e nela estavam algumas notas de 10 reais? Se você não perdeu a nota no processo de lavagem, certamente desbotou a nota! Pelo menos você poderia argumentar que o seu dinheiro era “mais limpo”.

Já com moedas, por mais que você as lavasse, colocasse na máquina ou entrasse no mar ou numa piscina com elas, ela não desbotaria e não enferrujaria (pelo menos por uns bons anos). O máximo que pode acontecer é você perder as moedas que caem/escorrem do seu bolso enquanto você coloca sua bermuda para lavar ou entra no mar.

Outra explicação, não tão óbvia, decorre do fato da economia estar em um lento, mas constante processo inflacionário. Isso quer dizer que, com a elevação dos preços – e a perda do valor de compra do dinheiro – uma nota de 1 real em 2014 não comprará as mesmas quantidades de bens como em 1994. Lembre que com R$ 1,00 era possível comprar um bom lanche em uma cantina qualquer, e eu também me lembro que um hamburguer no Mc Donald´s custava entre R$ 0,90 até R$ 1,10 nesse período.

Portanto, tornou-se inútil a produção de uma nota que, com o passar do tempo, teria sua utilização reduzida e seu custo de produção excedia o benefício trazido para a economia.

Em outros países que enfrentam processos inflacionários crescentes, também adotaram essa política: na Argentina, não há nota de 1 peso. Apenas moedas. Exatamente pelo motivo do peso argentino ter se desvalorizado ao longo do tempo e ter se tornado muito mais oneroso produzí-lo do que o benefício gerado pela sua circulação.

Recapitulando o que foi lido neste post:

  1. Os motivos de descontinuidade da produção da nota de 1 real;
  2. A maneira encontrada para continuar gerando liquidez, através da moeda metálica de 1 real;
  3. Quanto que os agentes econômicos andam atribuindo de valor a nota de 1 real atualmente;
  4. Os motivos do elevado valor atribuído a cédula de 1 real.