Globalização não é um bicho de sete cabeças. Muito menos, vilão

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GlobalizaçãoDurante a década de 1990 e nos idos dos anos 2000, Globalização era a palavra da moda. Discutíamos nas escolas, ensinavam as crianças conceitos formados e elantados sobre a Globalização. Lembro-me de ver gente dizendo coisas assim: “tá vendo essa desgraça toda que tá acontecendo, essas revoltas? Sabe qual é a causa disso? Globalização!!”

Eu fiquei durante anos refletindo a respeito disso, mas foram nos últimos em que encontrei fontes e idéias realmente fundamentadas que justifiquem a idéia da união dos povos, de forma econômica (principalmente), cultural e social. Afinal de contas, se pararmos para pensar, por mais que reclamemos desse processo que as pessoas costumam chamar de vilão, acabamos por utilizar e usufruir dos frutos desse vilão. Que curioso não?

Então, o que é uma economia globalizada?

Poderia responder, rapidamente e basicamente que uma economia globalizada consiste em uma forte integração com o comércio internacional (de bens e serviços), um alto grau de intercâmbio cultural e fácil acessibilidade ao lugar. Quanto a facilidade, não me refiro somente a facilidade geográfica com uma estrada de acesso, mas sim a quantidade de informações disponíveis, nas línguas disponíveis e as várias formas de acesso ao lugar.

Agora vou pontuar alguns dos argumentos contra o processo globalizador, que comumente ocorre por aí e, de tempos em tempos, voltam à tona nos jornais e revistas cotidianas.

É comum o argumento de que a globalização acaba, de forma avassaladora, com a cultura local/regional, que, com sua cultura e mídia de massa, consegue acabar com a originalidade local, com menores custos para atingir o consumidor local. Veja o exemplo do Mc Donald´s, que tem o mesmo Big Mac em todas as suas lojas ao redor do mundo. Outro exemplo, a Coca Cola, que chegou aos mercados derrubando os preços da concorrência regional e praticamente só restando a Coca Cola no mercado, rivalizando ora com a Pepsico, ora com produtos da Ambev.

Há o exemplo dos filmes hollywoodianos, com suas “receitas de bolo” para atingirem o sucesso de bilheteria, eu geralmente são muito mais assistidos do que os filmes nacionais e os filmes de outros países. Afinal de contas, é muito difícil assistir filmes diferentes dos hollywoodianos no Brasil.

Mas será que a globalização trouxe somente malefícios?

E começarmos a enumerar os avanços tecnológicos que nos possibilitam encontrar informações regionais e precisas, como o Google, Yahoo e Bing? E as empresas estrangeiras que, aqui instaladas, também fomentam e ajudam no desenvolvimento da cultura regional? Quantos projetos sociais a Coca Cola, Pepsico, Nestlè, Unilever… têm aqui no Brasil?

Ou seja, apesar de inicialmente o processo globalizador ser visto com muito ceticismo, constatamos, tempos depois, como nos dias atuais, que somos os maiores beneficiários desse processo. O seu aparelho de telefone celular não é de uma marca nacional. O seu computador, também tem poucas peças de origem/fabricação nacional. Seu carro… E assim sucessivamente.

Lembram que, na década de 1990, o brasileiro pagava caro por um carro sem injeção eletrônica? Era proibido um carro ser montado no Brasil com a injeção eletrônica importada. E como o Brasil não produzia esse “acessório”, os carros montados aqui não tinham esse mecanismo que auxilia (e otimiza) o consumo do carro.

No fim, a Globalização diminuiu as barreiras entre o conhecido e o desconhecido. Entre o mercado de massa e o mercado de nicho. Entre as pessoas amigas e desconhecidas.

Orkut, Facebook, Twitter, Google, Motorola, Apple, Siemens, Nokia, Samsung, Nikon, Canon, Ford, Fiat, NVIDIA, EA Games, Maxis, Coca Cola, Pepsi, Mc Donald´s… Quantas outras marcas você tem acesso e utiliza, diariamente?!?! Independentemente da nacionalidade delas, acabam gerando maior conforto e acessibilidade para os usuários.

E as marcas nacionais não ficam para trás também, e são vistas bem lá fora, graças ao processo globalizador! Petrobras, Vale, Bradesco, Itaú, Gerdau, CSN, CEMIG, Oi, Vivo…

E o que a globalização tem a ver com o tema do blog?

Tudo. Pois através desse processo, os custos de vida foram reduzidos, o acesso a todo tipo de bem e serviço foi aumentado e otimizado. Com o Google, você consegue encontrar o que quer, quando quer, a hora que quer e aonde quer. Além disso, e mais importante ainda, a informação ficou mais fácil de ser conseguida e “constituída”. Quem imaginou, há 10 anos atrás, no início dos anos 2000, que seria possível filmar, em tempo real, discretamente com o próprio celular, um policial agredindo violentamente e sem motivos um cidadão de bem? Novamente, a globalização está por trás da inclusão tecnológica de toda a sociedade e do avanço na velocidade de informação.

Hoje, os bens e serviços estão mais baratos. Você consegue ter acesso ao mercado de ações de dentro da sua casa, apenas com um computador e acesso a internet. Pode ganhar e perder muito dinheiro apenas apertando ENTER. Pode se informar, lendo este blog e qualquer outro, a custo zero. Isso tudo, e principalmente, o aumento e a qualidade da informação, são as principais e melhores conseqüências de um processo que antes era visto como perverso, e hoje, pode ser visto como benéfico.

A idéia do surgimento do blog é também resultado da globalização!

Forte abraço.

😉

 

Leitura recomendada:

Krugman e Obstfeld – Economia Internacional