Gastar mais do que tem: pense muito bem antes de fazer isso

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gastar maisAndei pensando numa maneira fácil de tentar convencer as pessoas a pensarem melhor quando forem contrair uma dívida, entrar no cheque especial do banco, exagerar no cartão de crédito, contrair empréstimos… Enfim, uma série de maneiras de ficar endividado. Bolei um esquema (perdoe o desenho um pouco grosseiro, mas não entendo nada de ferramentas gráficas no computador) para tentar ilustrar o que ocorre quando contraímos uma dívida além do nosso orçamento (empréstimos e financiamentos) e quem sai ganhando no final.

Vou explicar de uma outra maneira: se temos um orçamento mensal de R$100 e de repente precisamos gastar R$ 150, houve um gasto acima do limite. De uma maneira ou de outra, esses R$ 50 serão pagos e levados para o mês seguinte ou algum outro mês. De forma geral, paga-se juros para rolar essa dívida de um mês para o outro.

Ou seja, você se financiou para conseguir manter seu nome limpo na praça e continuar sua vida. Utilizou o cheque especial do banco (para gastar mais do que tem), o limite do cartão de crédito, etc… Mas no final, você pagou juros. É isso que importa. E antes de você pagá-los, pense nas mãos de quem ele irá parar: nas mãos dos acionistas dos bancos, já que os empréstimos geram lucro para os bancos e consequentemente, mais dividendos para o acionista.

Enquanto você gastar mais do que recebe durante algum período do tempo, outras pessoas, na outra ponta, gastam menos do que recebem e guardam esse dinheiro. Essas mesmas pessoas são as que emprestam, indiretamente (através dos depósitos bancários), esse dinheiro para você, que está gastando a mais. Além disso, os poupadores recebem os juros que você está pagando sobre a sua dívida. Além do dinheiro que sobra, o poupador, sabendo disso, adquire, ao longo do tempo, ações dos bancos, para ter uma fatia desse processo de concessão de empréstimos e geração de lucros. Ou seja, o poupador detém ações dos bancos (é dono de parte dele) e tem o dinheiro lá dentro também disponível para emprestar para quem está necessitado. Observe este desenho:

 gastar mais

O esquema acima é bem simplificado. Mas ilustra muito bem o que ocorre: enquanto a pessoa acha que o crédito maior que o seu salário é um incentivo a gastar mais (e a ter mais dívidas), acaba gerando maior valor para o acionista do banco, que são as famílias (indivíduos) ou outras empresas. Se o gastador parar e pensar por algum tempo, vai chegar a conclusão de que um crédito acima do seu limite não proporciona maior consumo. Muito pelo contrário! Pois ao longo do tempo terá que direcionar parte dos seus rendimentos para pagar juros de uma dívida que não deveria ser contraída.

Uma boa definição de um dicionário online para a palavra “gastar”.

É claro que há casos que o crédito é necessário e não há como fugir dele. A compra de um imóvel para morar, o financiamento de algum veículo, uma compra em larga escala de mobília para sua moradia… Enfim, esse tipo de gasto realmente é difícil de fugir sem a ajuda do crédito (ou parcelamento, que já embute o crédito). Porém, é preciso que o leitor fique atento para não entrar no cheque especial de uma maneira tão boba, simplesmente porque quer gastar mais comendo sempre nos restaurantes mais caros com uma grande freqüência, comprando supérfluos e bens/serviços que não terão utilidade na nossa vida.

Entenda que enquanto você gastar mais do que tem, alguém está enriquecendo com isso. E eu convido você a deixar o lado dos gastadores e passar a ser poupador. Não há passe de mágica para o enriquecimento. Comprar uma ação de alguma empresa (nesse caso, bancos) faz com que parte dos recursos sejam canalizados até você. (Leia aqui sobre cultivar os hábitos, parte 1 e parte 2).

Esse valor volta para o acionista, detentor da participação no banco, sob duas maneiras: valorização da ação ao longo do tempo, já que a carteira de crédito do banco vai aumentando e, consequentemente, aumenta a capacidade de gerar mais crédito e lucro; o lucro líquido dos bancos divididos aos acionistas ao longo dos anos são os dividendos gerados em função do processo/cadeia de geração de empréstimos, para pessoas que adoram gastar mais do que tem, entre outras modalidades de crédito. Antes que você pense que comprar ação de um banco é arriscado, imagine a economia brasileira girando dinheiro nos 4 grandes bancos que tem ações em bolsa: Bradesco, Itaú-Unibanco, Banco do Brasil e Santander, ou seja, estes bancos fazem o maior volume de transações financeiras do país*.

Agora eu te pergunto: de qual lado você quer estar? Não custa caro. A ação do Bradesco e Itaú-Unibanco, hoje, custam em torno de R$ 30 cada uma.

Espero que você pense muito bem antes de gastar mais do que você tem!

Forte abraço!

😉

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Nota:

*Caixa Econômica Federal não é banco e o governo detém todas as ações da instituição. Apesar de deter boa parte das poupanças dos trabalhadores e ser uma instituição que detém FGTS, dentre outros fundos com alguma interação do governo, e ter funções e práticas iguais aos bancos múltiplos como Banco do Brasil, Itaú e Bradesco.