Orgulho pessoal pode levar você ao caos na sua vida financeira

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orgulho pessoalO maior problema das pessoas não é um salário alto ou um patrimônio gordo. Mas o orgulho pessoal quando falamos em finanças. Pode parecer bobeira falar sobre isso ou, até mesmo, ficar repetindo esse assunto exaustivamente. Mas infelizmente, quanto mais eu converso com as pessoas e mais elas me procuram para tentarem resolver seus problemas financeiros, a situação é quase sempre a mesma: a pessoa se endividou ao longo da vida inteira e em um dado momento percebeu que as dívidas estavam sufocando-a.

Para resolver isso, a mais óbvia, e pragmática, receita é: corte as suas despesas. Mas infelizmente, a coisa não funciona bem assim. Quando sugiro isso, percebo que essa atitude mexe (e as vezes fere) um orgulho pessoal da pessoa, impossibilitando as chances de algum resultado positivo com o corte de despesas, custos e dívidas.

Primeiro, precisamos entender como as dívidas são formadas e construídas em nossas vidas. Vamos pensar no momento zero, quando você começa a trabalhar e a ganhar seu salário. Inicialmente, se você recebe R$ 1.000/mês e gasta somente R$ 900/mês com todos os gastos e despesas, como luz, gás, telefone, aluguel… Sobra, todo mês um saldo de R$ 100. Ou seja, todo mês, o seu fluxo positivo de R$ 100 vai gerando um estoque de 100 + 100 + 100… Indefinidamente, se continuar assim. Logo, ao final de um período longo, de anos, haverá um grande estoque de dinheiro guardado. Chamamos isso de poupança, ou seja:

Poupança = Renda – Gastos e despesas

Quando falamos, em economia “gerar poupança”, significa que a pessoa ou instituição (inclusive o governo), deve gastar menos do que o que recebe ou arrecada.

Esse ponto explicado é o lado do poupador, o que consegue guardar ao longo de um período (ou da vida inteira), um fluxo de dinheiro com o intuito de formar um estoque. Isso explica como muitas pessoas ao se aposentarem, conseguem juntar um patrimônio considerável em planos de previdência privada ou até mesmo montando seu próprio patrimônio, investindo em ações, títulos, imóveis… Além disso, o orgulho pessoal praticamente não será afetado quando ocorrer algum problema de corte eventual de gastos, já que há um grande estoque de grana guardado anteriormente.

Do outro lado, é preciso ilustrar o lado do gastador, aquele que não junta dinheiro e só gasta ao longo do tempo. Esse, além de gastar mais do que ganha durante quase toda a sua vida, tem um orgulho pessoal adquirido ao longo do tempo e recusa-se a reduzir seu padrão de vida (mesmo que temporariamente) para voltar a reequilibrar as suas finanças.

Seguindo o nosso exemplo, nesse caso o indivíduo recebe R$1.000/mês e gasta R$ 1.100/mês. Ou seja, todo mês, há uma saída a mais de R$ 100 da conta dele. Dessa maneira, como a poupança dele é negativa (sai mais do que entra em termos de grana), ele precisa se financiar em algum outro lugar ou modalidade: cheque especial, empréstimo, empréstimo consignado, calote… O fato é que, ao longo do tempo, um constante fluxo negativo de grana gera um estoque negativo crescente. Quando explode – e irá explodir – será de uma maneira bem dolorosa, que ferirá profundamente o orgulho pessoal do indivíduo: venda do imóvel aonde mora para quitar dívidas, nome vai pro SPC, impossibilidade de abrir conta em bancos, e por aí vai. É essa a vida e situação que você gostaria de encarar?

Nessa situação, a maneira ideal de resolver o problema é: sentar, avaliar, enumerar as preferências e ordens de prioridades. Sempre se questionar: esse gasto ou essa compra é um luxo ou uma necessidade? Se for um luxo, é provável que você possa cortar, já que a definição de luxo implica em algo que você não necessita, como uma jóia. Se for necessidade, infelizmente fica mais difícil de cortar, como uma comida ou algum utensílio doméstico de extrema importância, como a compra de uma faca para cortar seus alimentos. Independentemente, seu orgulho pessoal será ferido e machucado cada vez mais conforme o tempo passa e você não resolve o seu problema de fluxo negativo de dinheiro. A prioridade é gerar poupança positiva para a partir daí começar a renegociar o seu estoque de dívida, estimando um horizonte de pagamento e finalizando com esse problema.

Dê uma olhada nesse site com provérbios e ditados sobre gastar mais do que recebe.

Em suma, é importante que fique a seguinte idéia: quanto mais tempo você demorar para tentar resolver algum problema financeiro em sua vida e, principalmente, se esse problema for um fluxo negativo de grana (gastar mais do que recebe), mais doloroso será no seu orgulho pessoal e no seu ego.

Espero ter ajudado!

😉