Carro velho pode ter potência, mas pode dar muita dor de cabeça

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carro velhoVocê já deve ter ouvido falar que tudo que era antigo durava mais. Carro velho não seria exceção.

E realmente, os bens duráveis de antigamente eram feitos para durar mais. E os carros também. Tinham menos plásticos, menos “fibras de carbono” e materiais mais leves. Boa parte de seu peso era composta por aço ou derivados do ferro e alumínio.

Há quem argumente que nesse tempo o carro era melhor. Por outro lado, para os mais novos, a economia conseguida com carros mais leves, que utilizem menor quantidade de combustível, é um dos grandes argumentos a favor da nova era de carros, para deixar, definitivamente, o carro velho apenas na lembrança.

Geralmente as pessoas que nasceram antes da década de 1980 costumam ser saudosos quando falam do seu carro velho: “ah, o Opala da Chevrolet era excelente!!” Sim, era um excelente carro para os padrões brasileiros! Mas bebia gasolina absurdamente!

Esses carros, geralmente grandes e constituídos, na sua maior parte, de aço e lataria, faziam uma média de 2 a 4 km por litro de gasolinba!! Hoje em dia um carro que faz de 9 a 11km por litro de gasolina é considerado normal. E com o passar do tempo, o mercado passa a ter carros cada vez mais econômicos e mais eficientes em termos de consumo de combustível. Há projetos pioneiros de carros híbridos, que prometem reduzir ainda mais a dependência do combustível para a locomoção do veículo.

O Fator Motivador do Artigo

Mas o mais importante desse post e o que me motivou a escrevê-lo, foi notar o drama de uma pessoa próxima que possui um Escort GL 1998, motor 1.8. O carro é excelente! O motor, dá pra levar um elefante em cima, que ele aguenta! Entretanto, a maior decepção do proprietário do automóvel ocorreu quando precisou levar a uma concessionária, da Ford, no início de 2013, para realizar a manutenção, e a resposta que ele recebeu do atendente foi: “nós não trabalhamos mais com este carro.”

Carro velho passa a ter uma difícil reposição de peça, pois toda a linha de produção já foi descontinuada.

Abismado, o proprietário do veículo indagou o atendente: “então tenho de jogar o meu carro velho fora?!?!”

Independentemente do destino dado ao carro velho, o que fica de importante, aqui, é prestar atenção até que ponto o seu carro não está velho demais, para ser consertado e até mesmo transacionado. Mais ainda, até mesmo a venda do seu aconchegante Escort está difícil. Difícil de competir com a concorrência do carro zero km, com os financiamentos existentes no mercado.

O erro mais comum do proprietário fanático: achar que seu carro vale ouro

Percebo, com bastante freqüência que algumas pessoas sempre martelam na tecla, dizendo que o seu bem, no caso, o carro velho, vale muito mais do que aquilo que estão oferecendo. As justificativas são razoáveis, devido ao cuidado que o proprietário deu no carro durante o tempo que o veículo ficou em suas mãos e também a baixa kilometragem, e que por isso mesmo, acabou virando um investimento. Entretanto, como já apontado acima, é muito mais difícil vender o carro velho quando estamos em uma economia onde o financiamento e a liquidez são muito maiores do que antigamente.

Torna-se muito mais fácil e valioso para um futuro-novo-proprietário de carro, ir a uma concessionária, adquirir um financiamento de veículo, pagando uma parcela mensal suficientemente pequena, e comprar um carro novo zero km, sem nenhum defeito de fábrica e com direito a garantia. E mais ainda, a liquidez desse carro zero km é muito maior do que a liquidez do carro velho ofertado no mercado, mesmo que com um preço atrativo para o carro velho.

O que aconteceu com o proprietário do carro velho? E com o carro?

Resultado: ficou tempo demais com um carro, que virou um carro velho, e atualmente possui baixíssimo valor de mercado para uma eventual venda. E ficou sem manutenção da rede autorizada.

Para os curiosos sobre preços, opiniões e os saudosos de modelos mais antigos, acesse este site: http://www.carrosnaweb.com.br/opiniao.asp

Não é culpa da Ford ou de qualquer outra montadora. Mas o tempo passou. E o proprietário parou no tempo.

Qualquer outra montadora, seja ela de carros populares ou de carros de luxo, cedo ou tarde, descontinuarão alguma linha de produção. É possível tentar solicitar alguma produção específica a uma montadora para repor uma única peça, mas a dor de cabeça e o valor cobrado por esse tipo de serviço certamente será outro fator a ser levado em consideração.

A não ser que o proprietário do carro velho possua uma relíquia, ou algum valor sentimental muito maior sobre o veículo e ache que dinheiro nenhum poderá repor ou substituir o valor sentimental que é atribuído ao veículo.

A evolução da segurança nos carros

Olha que interessante este vídeo, que compara o impacto da batida ocorrida em um carro novo, moderno e um mais antigo de 1959. Observe que por mais que o carro velho seja feito de aço ou materiais “mais duros”, nem sempre esse conteúdo robusto implica em maior segurança para o usuário final.

Esse é outro aspecto que precisa ser fortemente avaliado. Estar dentro de um veículo a 60 km/h e sofrer um acidente utilizando o cinto de segurança pode oferecer baixo impacto aos passageiros. Se todos estiverem utilizando o cinto de segurança. Se um passageiro do banco de trás não estiver utilizando o cinto, e em uma batida com desaceleração brusca, de 80 para 0 km/h em frações de segundo, faz com que o passageiro sentado no banco traseiro seja ejetado feito uma bala sobre o banco dianteiro e ferindo gravemente o motorista ou o carona.

Outro fator que poderia ser levado em consideração em carros mais novos, em detrimento dos carros mais velhos, é o sistema de freios, que atualmente quase todos os carros novos possuem, por um preço relativamente pequeno. O sistema ABS torna o processo da frenagem mais seguro, com menor possibilidade dos pneus travarem e impedindo que o carro perca o controle em curvas ou em frenagens bruscas.

Concluindo:

Precisamos levar em consideração, na hora de escolher ficar com o carro velho na garagem ao invés de comprar um carro novo, diversos fatores. Desde o aspecto econômico, reduzindo os gastos com combustível, através de utilização de carros mais novos, até um sistema de segurança mais eficiente e que consiga manter a vida de quem está dentro do carro. É horrível perder pessoas queridas em um acidente de trânsito. E pior ainda quando essa perda poderia ter sido evitada com um sistema de segurança mais confiável dentro do veículo.

Em suma, é preferível escolher um tempo ótimo para você sempre realizar a troca do seu carro para um mais novo. Evite ficar nos tempos antigos. Sua segurança agradece. E sua longevidade também.

  • Jonatas Lança

    Os carros antigos sao mais resistente mais nao exite realmente a mesma segurança em relação aos mais novos

  • Sim Jonatas, os carros antigos eram mais resistentes. Talvez porque fossem feitos com muito mais aço que os carros atualmente.

    Mas em compensação eram mais pesados e consumiam muito mais combustível. Além da segurança ser menor, conforme já falamos…