5 Dicas para quem está sem dinheiro e como executá-las

Tempo de leitura: 12 minutos

Por que as pessoas estão sem dinheiro com tanta frequência?

Se pudéssemos alterar nossos salários de uma hora para outra, certamente conseguiríamos resolver nossos problema de endividamento e uma situação financeira desconfortável. Como um reajuste salarial imediato é bastante difícil de acontecer, precisamos combater o outro lado da moeda, que está focado na forma como o nosso dinheiro sai da nossa carteira, e não na forma como ele entra.

Neste post, vamos falar de 5 dicas que as pessoas sem dinheiro podem seguir e conseguir resultados significantes na gestão da sua renda.

Vamos lá!

 

Dica #1: quem está sem dinheiro, precisa controlar seu dinheiro de forma eficiente e transparente

“Recebo aproximadamente X por mês e gasto aproximadamente Y… Mais ou menos por aí…”

Não dá para começarmos a diagnosticar o nosso problema financeiro se não sabemos aonde ele está. É o mesmo que ocorre quando estamos doentes: passamos por uma bateria de exames até que o médico possa nos diagnosticar adequadamente. Com a nossa situação financeira, ocorre a mesma coisa.

Anotar e colocar em uma planilha (com o máximo de detalhe possível e relevante), todas as nossas entradas e saídas, é fundamental para que possamos diagnosticar, com bastante certeza, aonde estamos gastando mais. Assim, conseguimos quantificar e precificar, exatamente, aonde está nosso erro e o que está sugando nossos trocados pelo ralo, e podemos perceber quais são as causas de estarmos sem dinheiro. Clique aqui e conheça o site do Henrique Carvalho, que contém uma variedade imensa de planilhas financeiras para Excel (grátis!).

Se você é das antigas e não gosta de usar a planilha, utilize o bom e velho bloquinho de anotações em que você pode registrar os valores gastos cotidianamente e transportá-lo com você pra todos os lugares. Não esqueça de anotar TODOS os gastos. Essa disciplina é essencial!

“Disciplina é a chave do negócio para começar a ter uma vida financeira mais saudável!”

Se você está antenado com os aplicativos que são lançados frequentemente no mercado, tente baixar algum de finanças pessoais, onde você possa fazer esses registros a qualquer hora e lugar. Particularmente, eu não gosto dessa metodologia. Sempre teremos o incentivo de “registrar depois” e quando isso não acontece (com bastante frequência), quem sai perdendo, é quem esqueceu.

Dica #2: avalie a sua situação de endividamento

Esse é um ponto importante na sua vida financeira. Muita gente fica sem dinheiro pelo simples fato de ficar tomando empréstimo com tanta frequência, que chega a ser desanimador calcular quanto que a pessoa já gastou, nos últimos 5 anos, com o pagamento de juros.

Faça uma conta simples: some todos os seus gastos mensais com pagamentos de empréstimos (financiamentos de carros e imóveis, pagamentos de cheque especial, CDC e outras modalidades), divida pelo seu salário líquido e veja qual é a razão que você encontra. Se esta razão (índice de liquidez) for maior do que 1, significa que você está com um endividamento tão elevado, que ele vai continuar aumentando e aumentando, já que você não tem capacidade de pagamento para amortizar (reduzir) a quantia devida.

Já se ele estiver abaixo de 1, significa que o seu salário líquido é capaz de amortizar a dívida no longo prazo.

O objetivo final é que você não precise tomar empréstimos para viver. Claro que são raros os casos em que temos tanto dinheiro na mão para comprar um imóvel ou um veículo, e não chegamos a tomar um financiamento. Mas esses são casos especiais de financiamentos. Entretanto, devem ser considerados na continha acima do cálculo do índice.

Elabore também um cronograma dos pagamentos que você realizará no mês. Um mini histórico no Excel mesmo. Anote as datas em que o dinheiro entra e as datas em que o dinheiro sai da sua conta, com os pagamentos dos empréstimos. Ao final de cada transação (recebimento ou pagamento), anote o saldo final e veja se em algum momento, a sua conta corrente fica no vermelho, caindo imediatamente no cheque especial.

Se você quer algo mais financeiro, experimente usar um diagrama de fluxo de caixa. As setas para cima indicam que você recebeu o dinheiro. E as setas para baixo indicam que você pagou alguma quantia. A linha horizontal indica o tempo e a ordem em que os eventos ocorrem.

diagrama-fluxo-caixa

Importante: se você precisar tomar um empréstimo a qualquer momento, este empréstimo deve ter uma razão para acontecer e um planejamento para ser amortizado. Caso contrário, não tente viver renegociando dívidas e empréstimos. Boa parte da sua riqueza vai embora com esse tipo de comportamento. Não tome um empréstimo pelo simples fato de estar sem dinheiro. Tome cuidado para que este empréstimo não tenha como objetivo satisfazer um desejo qualquer que tenha surgido de última hora.

Primiros-passos

Dica #3: gestão doméstica eficiente

Esse passo é bastante significativo. Quando falo em gerir uma casa, penso, imediatamente, em dois pontos distintos:

  • Serviços como luz, gás e telefone;
  • Compras de supermercados e o processo de estocagem.

O primeiro ponto é importante demais. O hábito de sair de um cômodo e deixar a luz ligada, ou abusar da geladeira e deixar a porta aberta com muita frequência, são grandes sugadores da sua renda. Não me assusta que as pessoas que dizem estar sem dinheiro cultivem esse tipo de hábito durante o seu cotidiano.

Por isso, avalie a relevância que os gastos com luz, gás e serviços em geral têm nas suas despesas. É necessário gastar tanto dinheiro com TV a cabo? Será que alguns pontos podem ser cortados para reduzir a mensalidade paga a operadora local? O método aqui é simples: avalie a relevância (peso que esse gasto tem sobre o seu salário líquido). Divida os seus gastos com as contas de serviços pelo seu salário líquido e você encontrará a relevância (índice) que essas despesas têm no seu orçamento geral.

O segundo ponto é bastante interessante. O hábito da listinha de compras antes de ir ao supermercado é comum. Mas essa avaliação de quantos itens de cada artigo precisam ser comprados é subjetivo. Um método que eu achei muito interessante e simples de ser feito: elabore uma lista com TODOS os itens que tem na sua despensa. Uma lista. E ao lado, faça uma série de quadradinhos, para ser feito um X e marcar quando este item foi retirado e utilizado da despensa por alguém. Ou seja, quando a pessoa for no estoque e pegar uma lata de achocolatado, basta que ela encontre o item na lista, faça um X no quadradinho que estará na linha do achocolatado, e pronto! Quando a pessoa que for fazer a lista do supermercado for avaliar a quantidade de itens necessários, basta que conte a quantidade de X encontrados em cada ítem!

Dica #4: pare de gastar com supérfluos

“Comprei alguma coisa no impulso. Depois percebi que não precisava.”

Isso já aconteceu bastante com você. E com todos nós. Existe uma maneira muito simples de você conseguir evitar e filtrar esse tipo de acontecimento, tornando-se “blindado” às suas vontades repentinas e que podem causar um tremendo estrago financeiro.

“Pare e pense: essa coisa que eu preciso comprar, é uma necessidade ou um desejo?”

Quando pensamos dessa maneira, estamos induzindo nosso cérebro a priorizar as nossas preferências. Isso vai se traduzir, imediatamente, na priorização dos seus gastos e em um menor gasto com supérfluos no seu orçamento.

Comprar o último lançamento em termos de celular é um típico exemplo. Será que esse novo aparelho trará coisas tão revolucionárias assim que mudarão a sua vida da água para o vinho? Você realmente precisa dos recursos que este novo aparelho está lhe oferecendo? Entendo que a mudança de um celular antigo para um smartphone, representa mudança significativa. Mas então por que mudar, com tanta frequência, de um smartphone, para OUTRO smartphone, muitas vezes, em menos de 1 ano?

Pense muito bem. Avalie se é um desejo ou uma necessidade. Podem ocorrer casos em que desejo e necessidade se misturam e por isso mesmo acabamos comprando o artigo que vimos na loja. Mas comprar no impulso é um dos problemas que as pessoas sem dinheiro sempre enfrentam e nunca conseguem sair dessa ciranda.

Dica #5: avalie a necessidade de comprar um carro

Não é difícil entender que um carro dá maior liberdade a qualquer um. Maiores possibilidades para fazer o que, aonde e quando quiser. Nem sempre isso é viável, já que em cidades muito densas, o problema da vaga para o carro é bastante frequente. Mas a mentalidade de que um carro é sinônimo de status, de poder e de liberdade, permanece no inconsciente de todos nós, homens e mulheres.

Agora precisamos entender por que um carro pode ser fatal no orçamento de uma pessoa. Usualmente, isso ocorre com aqueles que começaram a trabalhar recentemente, ou que tiveram um aumento de salário significativo nos últimos meses. O que usualmente pensam: “já dá para comprar um carro, pois a parcela já cabe no meu bolso…” e é aí que você se engana.

A parcela pode caber no seu bolso, e até mesmo a gasolina. Já vi casos de pessoas que compraram seus carros e tiveram de deixá-los na garagem, pois não tinham dinheiro para colocar combustível e poderem usufruir do veículo. Mas muitas vezes você esquece de levar em consideração outros aspectos, como o IPVA (imposto); manutenção com revisões e trocas de peças, que são cada vez mais caras com o passar do tempo; custos com seguro (ainda é pouco utilizado no Brasil, mas é bom ter); custos com estacionamento e aluguel de vagas em grandes centros urbanos.

Todos esses aspectos foram ponderados antes da compra do automóvel? Muitas vezes, percebo que as pessoas não levaram esses pontos em consideração. Então, avalie melhor quanto custa comprar um carro.

Se você pretende comprar um veículo, simplesmente porque ele cabe no seu bolso, pense de novo, pondere novamente se você realmente precisa comprá-lo. Fique atento ao fato de você estar tomando um empréstimo (já comentado na Dica #2) para realizar a compra do carro. É difícil você ter o dinheiro para comprar um carro à vista. Mas pense bem e avalie as condições do financiamento e se você estará disposto a arcar com a taxa de juros embutida no financiamento.

Ufa! Se você chegou até aqui, preciso compartilhar uma outra dica que as pessoas sem dinheiro devem seguir, como bônus pelo seu empenho na leitura:

 bonus

Dica #6 (bônus): nunca espere um milagre

“Tenho uma grana enorme para receber de indenização. Se a Justiça decidir a meu favor…”

Sempre a espera de algo megalomaníaco para acontecer e nunca conta com o que realmente tem. Ao invés de fazer planos e elaborar os seus controles, conforme descrito na Dica #1, a pessoa sempre fica à espera de um milagre. Algo irá acontecer, fora do controle e da realidade dela, que mudará a sua vida. Mesmo que não aconteça no curto prazo, ela idealiza e sonha que isso irá ocorrer em algum momento da sua vida. Até mesmo ganhar na Mega-Sena.

A grana da indenização pode acontecer? Sim. Você pode ganhar na Mega-Sena? Sim. Mas as chances são baixas. O ganho é alto e a possibilidade do evento não ocorrer também é alta.

Do outro lado, os ganhos com a execução dos métodos propostos nas Dicas anteriores possuem considerável retorno no curto prazo, e um ganho imensurável no longo prazo. E se forem exercitados ao longo do tempo, aumentarão cada vez mais suas chances de sucesso e de ganhos, fazendo com que você deixe de estar sem dinheiro e passe a ficar com dinheiro.

Foque suas energias em métodos de controle, avaliação de gastos e maior racionalidade nas suas despesas, você não precisará depender da sua grande tacada para que sua vida financeira mude.

“Foco = menos esforço com mais resultado.”

E por fim,

Dica bônus: depois que todo esse trabalho foi executado e implementado por você e, o seu dinheiro passou a sobrar no final do mês, por que não começar a investi-lo em alguma modalidade que você se sinta à vontade? Dessa forma, o dinheiro começará a trabalhar para você! Quanto mais dinheiro estiver trabalhando para você, menor será a sua preocupação em estar sem dinheiro no futuro!

Conclusão

Neste post nós vimos que as pessoas sem dinheiro deveriam seguir as dicas abaixo:

  • Dica #1: controle seu dinheiro de forma eficiente e transparente;
  • Dica #2: avalie a sua situação de endividamento;
  • Dica #3: gestão doméstica eficiente;
  • Dica #4: pare de gastar com supérfluos;
  • Dica #5: avalie a necessidade de comprar um carro;
  • Dica #6 (bônus): nunca espere um milagre.

Esteja certo de que perseverança e coragem para seguir em frente são essenciais. Não desista e saiba que recaídas irão ocorrer. Mas tente voltar para os trilhos o mais rápido possível! Disciplina e Foco são essenciais!

  • Barbara L

    Vc é meu mestre na pão duriceAs vezes me pego pensando em nao gastar em certas coisas e lembro: isso é coisa de Leandro!No final me ajuda mto! Economizo uma grana e ainda passo isso para a minha mãe e irmã!
    Vamos continuar nessa pão durice! Talvez eu não fique milionária, mas vou viver sem dívidas e vou viver confortavelmente!!! Beijos