Falta de Água, Racionamento, Cantareira, Reservatórios… E o nosso dinheiro

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O mundo inteiro passa por diversos problemas relacionados a falta de água. Muitos países do hemisfério norte já estão acostumados com a quantidade reduzida de água disponível para eles, tanto para beber quanto para higiene pessoal ou outros fins. Aqui no Brasil raramente tivemos episódios de falta de água. E boa parte desses problemas não eram ocasionados pela falta de chuvas, mas sim por um sistema de distribuição precário e insuficiente.

Atualmente, o Brasil e as grandes cidades conseguiram resolver de forma bastante significativa o problema da rede de distribuição de água. Mas a possibilidade de racionamento em São Paulo, na Serra da Cantareira (principal fornecedor de água para a grande São Paulo) torna-se cada vez maior com o passar do tempo. Por mais que as autoridades locais e federais tentem esconder essa situação, cada dia que passa, fica mais evidente. Veja esta reportagem, que ilustra o problema citado, em São Paulo. Veja o vídeo: “e se acabar a água em SP?

Bom, independentemente do que as autoridades farão para evitar isso ou driblar esse problema, acho que nós, cidadãos, podemos fazer a nossa parte e, inclusive, ganhar no longo prazo, evitando o desperdício. É preciso evitar a lavagem de calçadas com uso excessivo e constante de água, tomar banho por muito tempo e muitos outros cuidados, já bastante comuns na mídia e no dia-a-dia das pessoas.

As contas básicas do dia-a-dia

Entretanto, andei fazendo algumas continhas simples, nada muito sofisticado para ajudar a driblar a falta de água nas nossas vidas. Sempre falam em reaproveitar a água da chuva para se utilizar nas descargas dos vasos sanitários ou até mesmo nas lavagens das calçadas. É importante ressaltar que a água da chuva não é potável por vários motivos e por isso não deve ser usada para beber e nem para fazer alimentos. Apenas os usos básicos.

Vamos a algumas contas e dados que coletei:

  • O uso da descarga do vaso sanitário utiliza, em média, 10 litros por ativação; considerando 5 vezes o uso do vaso sanitário por dia, são 50 litros utilizados por dia.
  • Um chuveiro consome, em média, 9 litros por minuto na hora do banho ou para qualquer outro fim. Um banho de 10 minutos, consumirá 90 litros de água ao todo.

A descarga do vaso sanitário pode ser realizada com a água da chuva. Não há problema nenhum e nenhuma restrição.

Utilizar a água da chuva para o banho não é aconselhável. Por diversos fatores que fogem ao tema do nosso post. Então, uma maneira de reduzir o uso de água no banho é diminuir a intensidade em que a torneira fica aberta e, enquanto estiver se ensaboando, fechar a torneira ou reduzir sua intensidade significativamente. Isso vai depender de cada um e das necessidades que cada um tem ao tomar banho.

É preciso avaliar se na sua cidade há uma quantidade de chuva razoável para que esse tipo de sistema de captação de água da chuva seja implementado na sua casa ou prédio. Elaborei mais umas continhas simples, apenas com alguns números na cabeça, sobre a cidade do Rio de Janeiro. Os dados pluviométricos têm base no Relatório Anual de Chuva para a cidade do Rio de Janeiro no ano de 2013.

Conforme consta no relatório, a cidade do Rio de Janeiro teve uma média mensal, em 2013, de 127,9 mm de chuva.

Vamos considerar que um apartamento no Rio de Janeiro tenha uma média de 80 m² de área. Isso implica dizer que o seu edifício tem, no mínimo, 80 m² de tamanho ou mais, caso haja mais apartamentos por andar. Mas vamos nos limitar a uma área de 80 m².

Cada milímetro de chuva equivale a 1 litro de água de chuva acumulado em uma superfície de 1 m² (clique aqui para saber sobre a pluviometria). Como na cidade do Rio de Janeiro há uma média mensal de 127,9 mm de chuva, isso quer dizer que para cada metro quadrado da cidade, havia 127,9 litros de água da chuva disponível para uso.

Se no telhado do edifício do apartamento considerado houvesse um sistema de captação de água da chuva, com uma área de 80 m² para a captação dessa água, haveria um total de 10.232 litros de água disponível para uso em descargas de vasos sanitários ou 1023 usos da descarga por mês.

Conclusão:

Esse é o aspecto em que há a possibilidade de diminuir de forma significativa o problema da falta de água na sua cidade. No caso, o Rio de Janeiro, ajudaria a reduzir bastante a dependência de água proveniente da CEDAE-RJ (Companhia Estadual de Águas e Esgotos) ou de meios alternativos, como caminhões pipa. E mais ainda, para o nosso bolso, é fundamental reduzir a dependência do fornecimento regular de água. Além de ajudar o meio ambiente, conseguimos também reduzir o tamanho da conta de água.

Há condomínios que pagam altas contas de água e são os grandes vilões para que haja a falta de água em cidades grandes. Muitos desperdícios são encontrados como torneiras pingando e apartamentos que fazem manutenção precária do seu sistema hidráulico. Além de usar a água da chuva em vasos sanitários, pode-se também utilizar a mesma água para a lavagem de calçadas e chãos em geral.

Não é um sistema tão caro para ser implementado, quanto um sistema de captação de energia solar. E como um sistema de captação de água da chuva é bem mais simples de se implementar e construir, sua manutenção também tem custos bastante reduzidos.

  • Ana Carolina

    Ótimo texto! Quando teremos o próximo?

  • Em breve poderemos ter mais sobre assuntos correlatos!

    😉