6 Passos Simples Para Você Resolver Sua Vida Financeira

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“Ano novo, vida nova!” Esse é o lema da maioria das pessoas quando um novo ano se inicia.

Aproveitando, portanto, que estamos em janeiro e pensando que o ano – de fato – só começa após o carnaval, nada como estudar um pouco e se educar financeiramente para terminar o ano com as finanças em dia. Este artigo traz dicas simples de serem implementadas para resolver sua vida financeira!

Janeiro é sempre a mesma coisa. Fazemos inúmeras resoluções e promessas. Porém, sempre aparece aquele questionamento: “como farei isso sem dinheiro?” Ou pode ser pior. “Não tenho dinheiro para isso”; “gostaria muito de estudar outra língua, mas não tenho dinheiro”. Dinheiro, dinheiro, dinheiro… Parece que o dinheiro é o maior dos problemas, sempre! Mas não precisa ser.

Entender como lidar com o dinheiro é quase uma arte, mas uma arte simples, que pode ser facilmente aprendida.

No entanto, o maior problema é colocar em prática os métodos ensinados por aí.
Por isso, apresento aqui hoje um guia simples com algumas dicas para você melhorar sua vida financeira no ano que se inicia. Vamos lá?

1. Controle seu orçamento

Essa é uma dica simples, mas bastante poderosa. Quando você entender o significado e a capacidade que um simples controle de orçamento pode produzir, metade do caminho já estará andado.

Primeiramente, o que você precisa saber é: ANOTE TUDO! De uma simples bala na banca de jornal até os bens e contas mais caras, anote tudo que você gasta, onde gasta, o motivo, o dia. Você pode simplesmente usar um bloquinho de papel no bolso ou até um aplicativo em seu smartphone, mas não deixe de anotar.

No fim do mês reveja as anotações para entender o fluxo do seu dinheiro. É muito comum nos darmos conta que gastamos 10% ou mais do nosso orçamento com coisas absolutamente desnecessárias. Entendendo seu fluxo financeiro fica mais fácil reduzir seus gastos e economizar!

Dica Bônus: Alguns aplicativos para smartphone são realmente úteis e podem facilitar a sua vida financeira de forma espetacular. Alguns são gratuitos e outros são pagos. Teste vários deles (os gratuitos primeiro) e use o que preferir. Existe uma infinidade de aplicativos tanto para Android quanto para iOS e o conselho mais valioso é: teste! O melhor para mim pode não ser o melhor para você. 😉

2. Crie uma reserva para emergências

Muitas pessoas me perguntam “como eu invisto dinheiro?” ou ” por onde começar?”.

A resposta pode soar um pouco desanimadora, mas a verdade é: tenha uma reserva para emergência em um fundo de investimento de alta liquidez e risco baixo (o mais baixo possível). Isso deve ser feito antes de você começar a investir.

Para facilitar, abra uma caderneta de poupança e comece a juntar seu dinheiro lá. É bastante importante que essa poupança seja aberta em um banco diferente da sua conta corrente normal. Por exemplo, se você tem uma conta corrente no Banco Itaú, abra sua poupança (e apenas a poupança) na Caixa.

Cadernetas de poupança não pagam taxas de administração/manutenção e servem apenas para corrigir seu poder de compra (nem tanto), não funcionando como investimento. Portanto, para uma reserva de emergência a caderneta de poupança é a melhor opção.

Aí vem o problema: a poupança é o jeito mais fácil, mas está muito longe de ser o ideal.

Infelizmente, a poupança não consegue corrigir o seu poder de compra pela inflação. Então, o ideal é usar o Tesouro Direto para fazer sua reserva de emergência.

Ok. Você já entendeu! Mas como montar uma reserva de emergência, quanto de dinheiro tenho que ter e pra que serve isso?

Pois bem. A reserva de emergência pode ser montada gradualmente ou de uma única vez. O dinheiro alocado varia conforme o seu salário. Vamos aos passos:

a) Quantidade de dinheiro alocada.

Muitos autores divergem nessa opinião. Eu acho que 6 meses de gastos líquidos é suficiente. “Mas o que é gasto líquido?”, você pergunta.

Imagine que tenha um salário de R$1.000 e seus gastos mensais são os seguintes:

R$500 – contas fixas (luz, gás, telefone, aluguel)
R$100 – alimentação
R$100 – academia
R$150 – estacionamento no emprego
R$150 – gasolina

Agora vamos imaginar que você foi demitido. Quais desses gastos deixarão de existir enquanto você estiver desempregado? O estacionamento e a gasolina, totalizando R$300. A academia pode ser tratada como supérfluo nesse caso. Ok, ok. Eu sei que se trata de saúde, mas você ficou desempregado, lembra? Você pode economizar os R$100 e correr no parque ou na praia. Porém, lembre-se que plano de saúde no Brasil não é supérfluo, infelizmente. É um item obrigatório e deve entrar nas contas fixas.

Se você conseguiu cortar R$400 do seu orçamento no caso de uma emergência (demissão), então a conta a ser feita é R$600 x 6 = R$3.600. Você pode arredondar para R$4.000 ou até dobrar o valor. O importante é que esse dinheiro seja usado em casos emergenciais e apenas emergenciais.

Viagem à Disney com os filhos? Não é emergencial.

Comprar um carro novo? Não é emergencial.

No caso hipotético de uma demissão, quando você se reestabelecer profissionalmente, será seu objetivo primário retomar o fundo de emergência.

b) Como montar o fundo de emergência?

O fundo pode ser montado gradualmente, mês a mês, ou de uma vez só em caso de recebimento de uma herança, indenização ou coisa parecida. De repente, você já tem esse valor na poupança e não precisa criar o fundo, apenas gerenciá-lo.

Para as pessoas menos organizadas financeiramente é importante montar o fundo emergencial em um banco diferente, conforme citado acima. Isso se deve à falta de facilidade em sacar o dinheiro, o que evita saques desnecessários. Por exemplo, se você possuir uma poupança vinculada à sua conta no Banco Itaú, bastam poucos cliques no Internet Banking e estará usando o dinheiro para pagar uma conta que não deveria ser paga com o fundo emergencial.

É importante também que o fundo emergencial não tenha dinheiro em excesso, pois a poupança não é um investimento. Manter o dinheiro lá corrigirá (mal) seu poder de compra, mas não trará muitos frutos. Qualquer excedente deve ser utilizado em outros tipos de investimento, como Tesouro Direto, fundos de renda fixa, fundos de renda variável etc. A alocação adequada de seus recursos deve ser feita baseado em seu perfil de investidor e seus objetivos de médio e longo prazo. Mas isso tudo é papo para outra hora.

3. Compre tudo à vista!

Parece complicado em um primeiro momento, mas tenho um plano para você começar a comprar tudo à vista e é bem simples!

Primeiro, faça a você mesmo a seguinte pergunta: “eu preciso disto ou eu quero isto?”. Então, você terá duas opções possíveis:

a) Você precisa:

Talvez sua geladeira tenha quebrado, você ficou sem fogão ou algo do tipo. Nesses casos, você precisa comprar novos bens (ou consertá-los se valer a pena). Então, compre e pague à vista!

Caso você não tenha dinheiro, utilize uma técnica  muito simples: pague parcelado baseado na quantidade de meses que faltam para acabar o ano. Como assim? Simples. Digamos que você precisa comprar um fogão novo no mês de março, logo faltam 9 meses para acabar o ano (12 – 3 = 9). Compre o fogão e parcele em, no máximo, 9 vezes. O objetivo disso é você iniciar o ano seguinte sem nenhuma parcela pendente no cartão de crédito, cheque pré-datado ou carnê.

Lembre-se, se você seguir as dicas aqui expostas, a tendência é que no ano seguinte você consiga comprar tudo à vista e nunca mais precise parcelar nada.

b) Você quer:

Se você não precisa, junte dinheiro e compre à vista. Nunca compre algo que você não precisa de forma parcelada.

4. Cuide do seu cartão de crédito!

Cartão de crédito pode ser uma bênção, mas pode ser um problema para algumas pessoas. O ideal é ter apenas UM cartão de crédito. Escolha aquele que tem tarifas mais baratas (preferencialmente sem tarifas) e mais benefícios que você use.

Exemplificando, supondo que te ligaram oferecendo um cartão Platinum-Ultra-Mega-International. Algumas coisas você precisa se questionar:

– Quais benefícios ele me dá?
– Quanto custa a anuidade?
– Qual o limite?

De nada adianta você ter um cartão que te dê, por exemplo, o benefício de salas vip em aeroportos do mundo inteiro se você não faz viagens internacionais.

De nada adianta um cartão de crédito com limite de R$300 quando a sua renda é de R$5.000. Ao mesmo tempo que ter um cartão com limites estratosféricos pode ser um enorme problema para algumas pessoas.

De nada adianta um cartão de crédito que você não usa e paga uma anuidade de R$500. Isso só gera um custo adicional ao seu orçamento anual.

Portanto, pense bem em qual cartão terá e, principalmente, se terá cartão de crédito. Pessoalmente, eu gosto muito de cartões de créditos. Fiz duas viagens internacionais pagando hotéis e passagens com as milhas acumuladas nos cartões. É possível dependendo da quantidade de seus gastos.

Além disso, o cartão pode ser um facilitador. Se você possui controle suficiente em usar (anotando TUDO que é gasto), nunca se surprenderá ao ver sua fatura e conseguirá consolidar todos os pagamentos feitos em uma mesma data, o que pode ser ótimo.

Entretanto, se você não é uma pessoa controlada, é importante deixar o cartão de crédito de lado até conseguir resolver seus problemas financeiros.

Cartão de crédito exige controle. Use com inteligência e ele poderá ser um grande aliado.

Dica bônus: NUNCA pague o mínimo da fatura! SEMPRE pague a fatura total.

5. Pesquise antes de comprar!

É perfeitamente possível comprar de tudo pela internet. Além disso, é muito fácil encontrar sites de pesquisa de preço.

Lembre-se do nosso exemplo anterior da necessidade imediata de comprar um fogão novo. Ao pesquisar e comprar na internet, é fácil comprar um fogão com descontos de R$200 ou R$300 do que se adquirisse na loja física. Isso tudo aliado ao fato de não precisar gastar gasolina/estacionamento/passagem e tempo para ir à loja ou ao shopping.

Eu compro de tudo na internet, desde livros e eletrônicos até remédios. Consigo preços ótimos!

Remédios, por exemplo, que custam R$30 na farmácia podem ser comprados na internet por R$20. É um fato! Mesmo pagando o frete acaba ficando mais barato. No caso dos remédios o ideal é realizar as compras mensais de remédios. Compre aqueles de uso contínuo e mantenha um pequeno estoque dos mais usados pela família. Dessa forma, você dilui o frete e economiza muito.

6. Estude sobre educação financeira e investimentos!

O gerente do banco pode até ser seu amigo, mas ele tem um objetivo claro: vender. E sabe quem sai perdendo com isso? VOCÊ.

Comece estudando tipos de investimentos mais simples como o tesouro direto. Gradativamente, caso você se interesse, tente se aperfeiçoar. Renda variável, renda fixa, PGBL, VGBL podem parecer bastante complexos, mas dependem apenas de estudo e um pouco de dedicação.

Se você é uma pessoa ocupada, estude o mínimo necessário. Compre bons livros sobre investimentos e tente entender pra que serve cada modalidade de investimento. Por mais que você não se sinta a vontade para investir em renda variável sozinho, pelo menos saberá conversar de igual para igual com seu gerente bancário ou o consultor de uma corretora de valores. Assim, dificilmente cairá em “pegadinhas”, como por exemplo o investimento em título de capitalização.

Dica bônus: JAMAIS invista em títulos de capitalização!

Essas seis dicas são apenas o pontapé inicial para quem quer ter uma vida financeira mais saudável. Anote como sua resolução de ano novo ser saudável financeiramente.

O dinheiro não trará a felicidade imediata, mas livrará você de alguns problemas. Além disso, poderá te proporcionará liberdade!

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Forte abraço!

Créditos das imagens: photodune