Erro Financeiro Clássico – simples, mas devastador

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Erro Financeiro

Frequentemente as pessoas se perguntam por que acabam sem dinheiro ao final do mês. O erro financeiro clássico está no fato dessas mesmas pessoas olharem para sua conta bancária no início do mês e depois só olhar no início do mês seguinte. Esse comportamento é típico da pessoa preguiçosa, achando que estará poupando o tempo ao administrar suas finanças e seu patrimônio dessa maneira. Afinal de contas, patrimônio, gestão, contabilidade, impostos, renda, custos, despesas… Isso tudo parece um linguajar muito rebuscado ou, ao menos, complicado e chato.

Afinal, o Erro Financeiro Clássico a que me refiro é simples: as pessoas avaliam o seu patrimônio em um determinado dia do mês, geralmente o dia 1, e só voltam a avaliá-lo com a mesma minúcia no dia 1 do mês seguinte.

Assim chegam à seguinte conclusão: eu tinha, somados todos os investimentos de liquidez (poupança e fundos de baixa automática), R$ 100mil no dia 1 de fevereiro. Em 1 de março, tenho R$ 90mil nesse somatório. Isso significa que “perdi” R$ 10mil ao longo desse mês, ou seja, fiquei mais pobre em R$ 10mil durante o mês de fevereiro.

Inicialmente, esse procedimento pode poupar tempo. Afinal, basta verificar o saldo da sua conta bancária somente no 1º dia do mês e “tirar a foto” daquele momento. Esse raciocínio já trás embutido a ideia de que Salários + Rendas alternativas (aluguéis, dividendos etc.) já foram utilizadas em todos os processos ao longo do mês e você ainda precisou sacar R$ 10mil dos seus investimentos (leia-se: patrimônio) para fechar as suas contas no final do mês. E é durante esse simples procedimento que o erro financeiro aparece.

Por que, então, esse erro financeiro clássico é simples e devastador?

Porque através desse método, você não tem a noção exata e precisa de para onde está indo o dinheiro. Certamente saberá quanto ganha, pois as fontes são menores. Geralmente salários e aluguéis. Mas não saberá dizer, com precisão, quanto, como e quando o dinheiro que entrou, saiu. É quase igual ao funcionamento de uma máquina em que você coloca algumas coisas pequenas de um lado, e dentro da máquina ocorre um processo que você não sabe, e posteriormente sai o resultado do outro lado, com tudo perfeitinho, pronto para ser usado. Só que, neste caso, você coloca o dinheiro dentro de uma máquina (entradas), ocorre um procedimento dentro dessa máquina (algo que você não tem controle e noção, como gastos e despesas), e sai do outro lado o resultado desse processo: na maior parte das vezes, sai algo que chamamos de déficit, que é o resultado do seu erro financeiro cometido em função da sua preguiça.

Déficit é uma medida de fluxo. Sempre que for gasto mais do que se recebe, há um déficit. E, do contrário, quando entra mais do que sai, há um superávit. Quando a sua situação é deficitária, o seu patrimônio é sacrificado, sofrendo uma redução. Quando ela é superavitária, o seu patrimônio aumenta de tamanho.

O erro financeiro é devastador porque sem um controle adequado do que se gasta com despesas, jamais será possível você conseguir cortar gastos, alocar melhor os recursos. Mais ainda, se você só tirar água da caixa d’água sem reabastecê-la, uma hora ela esvazia.

Afinal, quanto você gastou com a reforma de casa? Quanto você gastou com o supermercado? Gastou muito no supermercado ou pouco, comparativamente ao mês passado? O nosso estoque de suprimentos é adequado às minhas demandas domésticas? E as idas ao shopping? Você gasta muito na praça de alimentação ou nas idas ao cinema?

Essas informações geralmente não existem, pois você tem um cartão de débito ou crédito, e simplesmente vai usando e gastando. Só terá a plena noção do quanto foi gasto, quando chegar o saldo da conta corrente ou a fatura do cartão de crédito. Nesse momento, não há mais o que possa ser feito, a não ser, pagar a conta.

Para resolver e acabar com isso é preciso que você registre os seus gastos e saiba aonde gastou. Como sempre falamos aqui no blog, isso faz parte do planejamento financeiro de uma estratégia maior, que é o seu enriquecimento ao longo do tempo, ou seja, aumento do seu patrimônio. Se você não sabe como fazer isso ainda, procure por planilhas na internet (ou clique aqui), que já venham previamente programadas para este fim. Ou, se preferir, faça a sua própria planilha. Veja um pequeno exemplo de como elaborar a sua:

erro financeiro modelo caixa

Observe que, na mini planilha acima, quando as compras no supermercado estouraram o caixa, foi preciso imediatamente realizar um saque nos investimentos (patrimônio) para que o caixa não ficasse negativo. Quando você for finalizar o mês e tiver essa informação, saberá, precisamente, que o momento em que a sua situação ficou negativa foi no dia 21 de fevereiro e o que provocou esse estouro de caixa e vai conseguir reduzir o risco e o estrago do erro financeiro. Está ali, escrito, pra você ver e não ter mais dúvidas. Esse modelo pode ser ampliado e ter muito mais informações, como uma descrição maior de cada item. Mas esse pequeno livro caixa já é muito, mas muito bom em termos de informação e detalhamento.

Se você não gosta de usar o computador para registrar o que ganha e o que gasta, há pequenos livros chamados “conta corrente” (ignore o título Conta Corrente e utilize-o como Livro Caixa normalmente, conforme demonstrado acima) que são vendidos em papelarias. Não é caro. É o preço de um caderno de 100 folhas.

Se você prefere utilizar o celular para isso, há bons aplicativos que resolvem o problema. Efetuando o controle manual, pelo celular ou pela planilha no computador, você estará observando diariamente o que entra e sai da sua riqueza ao longo do mês. Mais ainda: você saberá o momento (dia) exato em que seus gastos excederam as suas rendas. Esse momento é crucial e divisor de águas.

As grandes empresas possuem, geralmente, um departamento chamado Controles Internos. Neste departamento há funcionários encarregados de realizarem constantes avaliações sobre os contratos e procedimentos realizados dentro da empresa para verificarem se há dinheiro sendo jogado fora. Basicamente, é preciso que você adote o mesmo procedimento, através da utilização de planilhas ou aplicativos para celular para gerir as suas entradas, saídas e patrimônio.

Com o passar do tempo, você conseguirá se adaptar a um novo patamar de gastos, preferencialmente menor, e cada vez menor, ao longo do tempo. Saberá que no mês seguinte não poderá gastar tanto com besteiras no supermercado. Evitará um passeio ao shopping com “tudo pago pelo cartão do banco” e passará a ir ao shopping pensando “hoje só poderei gastar X reais com minha família, e daí não poderei passar. Esse processo de reaprendizado é contínuo e demorado. Requer que você, neste momento, seja o guia da sua família e das suas finanças, aconselhando a compras mais baratas e pisando mais no freio na hora de gastar o seu dinheiro. Mas saiba, é muito, mas muito enriquecedor.

Enfim, o erro financeiro clássico será corrigido quando você passar a registrar suas entradas e saídas ao longo do mês e você passará a controlar as suas finanças diariamente e a saber aonde o dinheiro está indo e o por que está indo embora. Quando você for “fotografar” sua conta corrente ao final do período, vai entender exatamente como chegou a este resultado e como você poderia ter evitado: cortando a despesa A, o gasto B. Simples assim.

Entendendo o jargão financeiro e contábil

Para complementar, eu gostaria de explicar a vocês algumas palavras que foram usadas acima e alguns conceitos básicos de contabilidade que você precisa saber e utilizá-los a seu favor.

  • Investimento com baixa automática nada mais é do que uma opção que o banco oferece para determinados fundos, quando sua conta é zerada. Pense que você quer comprar um objeto por R$ 10,00 e que sua conta corrente esteja com saldo zero e você possua investimentos com baixa automática em R$ 50. O banco fará, automaticamente, a baixa de R$ 10 do seu investimento e o colocará na sua conta corrente para que sua dívida seja quitada, e seu saldo continue em zero. É uma boa alternativa para evitar idas e vindas ao banco e principalmente o uso do cheque especial. Mas não conte sempre com essa facilidade, é a partir daí que o erro financeiro ocorre: sempre pensar que tem uma “reserva”para ser usada.
  • Renda ou receita é todo tipo de recurso que entra no seu “caixa”. O mais importante e comum é o salário líquido de impostos e descontos em geral. Outro componente da renda pode ser aluguéis de imóveis que a pessoa receba. Mesadas e afins também são considerados rendas.
  • Despesas e custos são todos os tipos de gastos que a pessoa tem para obter algum serviço/benefício/bem. Não vou entrar na diferenciação entre despesas e custos, pois isso é irrelevante aqui.
  • Rendas – Despesas = Saldo do período, que pode ser superavitário (positivo) ou deficitário (negativo).
  • O saldo acima afetará o seu patrimônio, que é composto por bens e direitos (imóveis, ações, títulos, investimentos…). Quando o saldo do período for superavitário, o seu patrimônio aumentará, e essa é a situação desejável. Quando seu saldo do período for deficitário, o seu patrimônio diminuirá, que é a situação que não queremos.

Conclusão

Comece agora a registrar suas entradas e saídas. Controle desde o estoque das compras de supermercado realizada ao longo do mês, até os menores gastos, como o picolé que você compra na esquina. Achar que esses gastos menores são insignificantes fazem você voltar a cometer o erro financeiro que debatemos até aqui. Evite isso. Vá além. Pequenos atos constroem grandes fortunas. Comece aqui. Por aqui. Registre suas entradas e saídas devidamente, utilizando planilhas ou caderninhos ou aplicativos de celular. E futuramente você terá um patrimônio cada vez maior. Quanto maior for a quantidade e qualidade das informações disponíveis sobre o seu fluxo de caixa, maior será a probabilidade do seu patrimônio aumentar, principalmente porque você evitará o erro financeiro de só olhar a conta bancária no início e fim do mês.

  • Larissa Gomes

    Estou usando um gerenciador financeiro top! Com o Boonzi (meu gerenciador) não escapa nada nem nunca tenho surpresas ao final do mês porque é bem fácil importar todos meus lançamentos que ele auto-categoriza para mim.

    Confira o Boonzi, vale a pena, é maravilhoso e ajuda verdadeiramente a controlar e poupar seu dinheiro. 🙂